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10 dicas para não errar questões de interpretação de texto


Sabemos que, invariavelmente, as provas dos concursos cobram a interpretação de texto e muitas vezes nos voltamos bastante para a parte gramatical e nos esquecemos de praticar esse conteúdo tão importante.

Numa média simples dentre todas as provas de concursos, chegamos a pelo menos 20% de tudo o que é cobrado em Português com relação direta com a interpretação do texto. Por isso, vamos facilitar a sua vida passando aqui 10 dicas para você não errar.


1. Entender o título:

Se um candidato sai da prova e não se lembra do título do texto, isso é sinal de que ele não interpretou bem! Assim, sempre que for realizar a interpretação, observe o título e procure entender a relação dele com o tema central. É ele que normalmente resume a ideia central do texto.

2. Ler o texto pelo menos duas vezes:

Não se deixe levar pela primeira impressão. Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto pelo menos duas vezes, atentamente, antes de responder a qualquer questão. Primeiro, é preciso captar sua mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser alcançado com uma simples leitura. A cada leitura, novas ideias serão compreendidas. Tenha paciência! Só depois tente resolver as questões propostas.

Este tópico é muito importante porque muita gente parte para apenas uma leitura do texto, para ganhar tempo na execução da prova, mas o que é melhor? Fazer rápido ou fazer com eficiência?

Certamente, você opta pela segunda, concorda? Você não faz um concurso para sair logo da prova, você o faz para passar. Assim, o que importa é cumprir a execução de todas as questões no tempo estimado para a prova.

Normalmente, com uma só leitura, ainda não temos a possibilidade de “entrar” com a devida profundidade no texto. Por isso, mesmo que pareça perder tempo, leia-o pelo menos duas vezes.

3. O que diagnosticar na primeira leitura:

Na primeira leitura, entendemos de maneira geral a ideia central do texto, sua ligação com o título e de certa o posicionamento do autor. Nesta primeira leitura, percebemos uma visão global das ideias, se o texto é uma crítica, uma análise aprofundada ou não, se há uma linguagem mais livre ou muito técnica.

Somente com esta primeira podemos nos confundir na afirmação das alternativas e com isso podemos cair nas famosas “pegadinhas”.

4. O que diagnosticar na segunda leitura:

Na segunda leitura, aprofundamos no entendimento do texto, percebemos as palavras-chave dele, as quais norteiam a condução de sua linha argumentativa e a relação entre os parágrafos. Nesta leitura, identificamos pontualmente as informações e isso é importante porque devemos comparar tais informações com as de cada alternativa.

Dessa forma, temos a chance de, ao ler as alternativas, perceber as palavras-chave que estão desconexas com o texto e eliminar as erradas.

5. Comparar a afirmação de cada alternativa com o texto:

Dizemos que as questões textuais devem ser respondidas por meio da comparação de seis textos: o de cada alternativa (a, b, c, d, e) com o texto.

Quem monta as questões de interpretação deve sempre mostrar para a coordenação da banca por que determinada alternativa é a correta e por que as demais estão erradas. Assim, o trabalho de analogia de cada alternativa com o texto sempre será feito com a ideia de que somente uma apresenta as informações semelhantes ao texto. Por isso, a segunda leitura, sobre a qual falamos anteriormente, é importante, justamente porque é ela que nos identifica as palavras-chave e em que ponto do texto se defendeu tal ideia.

Assim, leia atentamente a afirmação de cada alternativa. Perceba nela cada palavra. Cuidado com palavras que generalizam muito ou especificam muito. Normalmente estará aí o motivo de você eliminar a alternativa.

6. Sempre realizar as questões de interpretação de texto por eliminação de alternativas:

Elimine as alternativas que não apresentam ideias semelhantes ao texto. Com isso, você já consegue eliminar de duas a três alternativas, numa primeira passagem na questão. Se você ficar na dúvida entre duas, por exemplo, busque palavras-chave no enunciado da questão que podem dar pistas da alternativa correta.

7. Entender a estrutura do texto:

Normalmente a estrutura do texto já nos aponta em que parte estão os elementos mais importantes, porque normalmente damos uma ideia geral do que queremos falar e em seguida ampliamos, detalhamos, aprofundamos as ideias. Assim também ocorre no texto que devemos interpretar. Mas logicamente depende da intenção comunicativa do autor.

Quando o autor quer transmitir uma informação importante e quer prender a atenção do leitor logo de início, seu título é mais chamativo, o parágrafo inicial já traz a informação mais importante e em seguida ocorrem os elementos comprobatórios da informação de forma a prender a atenção do leitor. Esta, inclusive, é a estrutura que devemos cumprir quando realizamos uma redação, pois o texto é mais pontual, mais claro e objetivo.

Outras vezes o autor simplesmente expõe informações sem a necessidade de prender a atenção do leitor, por isso ele, cuidadosamente, vai inserindo as informações na ordem crescente de importância, deixando para o fim as informações mais relevantes.

Como eu disse, tudo isso depende da intenção do autor.

Então, a primeira coisa a que devemos ficar ligados é quanto à mitificação de que a interpretação está no parágrafo inicial e no parágrafo final do texto. Não. Isso não é verdade e é vendido por aí como a solução de nossos problemas, e o aluno que não gosta de ler ou o que quer fazer mais rápido possível as questões de interpretação para “ganhar tempo” acaba acreditando nesta falácia.

Assim, LEIA O TEXTO INTEIRO e DUAS VEZES, no mínimo. Na primeira leitura você vai sentir se as informações mais importantes estão no início, no meio ou no fim. Só de entender isso na primeira leitura você já encurtou o caminho para acertar a questão.

Na segunda leitura, você naturalmente vai perceber que informações importantes estão em cada parte e naturalmente as palavras-chave das alternativas vão direcionando seu ponto-chave no texto, concordando com ele (alternativa certa), ou discordando dele (alternativas erradas).

8. Atentar à precisão das informações:

Muitas vezes as alternativas abordam as palavras-chave do texto, mas trazem informações imprecisas. E a segunda leitura do texto nos deixa mais seguro para “pescar” essas afirmações imprecisas.

Às vezes, a alternativa generaliza muito as informações do texto, isto é, diz muito mais do que efetivamente foi informado. Um exemplo seria o texto afirmar que o brasileiro adora futebol e a alternativa afirmar que todos os brasileiros adoram futebol. Note que o texto transmitiu uma informação de maneira incerta, com restrições, pois o fato de o brasileiro adorar futebol não implica dizer categoricamente que a totalidade de brasileiros adora futebol. Assim, tal alternativa está errada.

Uma outra imprecisão é o texto ser categórico na afirmação e a alternativa não. Por exemplo, o texto afirma que todo cidadão tem direito à segurança, à saúde e à educação e a alternativa afirma que somente os ricos têm efetivo direito à segurança, à saúde e à educação. Ora, mesmo que eu entenda aí uma crítica, o que foi informado no texto é que categoricamente as pessoas têm seus direitos, e não que elas conseguem usufruir disso ou não, concorda? Assim, a alternativa apresenta apenas uma restrição, uma especificação. Assim, está errada.

9. Interpretar o ponto de vista do autor, e não o nosso:

Quantas vezes lemos um texto e não concordamos com as informações ali colocadas? No dia a dia, ao percebermos isso, basta mudar a página e ler outro texto mais agradável ou com ideologias ou informações com as quais compartilho.

Porém, num concurso não é assim.

Por exemplo, eu posso ser contrário à posse de armas pelo cidadão comum, mas na prova pode cair um texto que defenda o contrário: a posse de armas a cidadãos de bem. Neste texto, poderia ocorrer uma frase, como a seguinte:

O cidadão pode se proteger com arma de fogo quando o estado não tem condições de fazê-lo.

Eu, pessoalmente, não acredito nisso, mas o autor defende essa ideia. Isso está no texto que estou lendo e devo interpretar. E aí? Vou interpretar pela minha ideologia ou por aquilo que o texto afirma?

Deixe de lado suas convicções, e assuma uma postura altamente impessoal e imparcial. Analise o texto, somente ele.

Dessa forma, mesmo que eu não concorde por minhas convicções ou por conhecimento da lei, se uma alternativa afirmar que, do ponto de vista do autor, entende-se que, quando o Estado não defende o cidadão, ele pode se defender por meios próprios, ela está certa pelo que o texto afirmou na frase A Constituição de 1988 abre margem à interpretação de que o cidadão pode se proteger quando o estado não tem condições de fazê-lo.

10. A interpretação por vestígios:

Num texto, pode haver ideias explícitas (o que literalmente se vê escrito no texto) e implícitas (o que se abstrai, subentende, nas entrelinhas do texto). Procure sempre, ao tentar resolver a interpretação, marcar o que está explícito no texto que confirme a sua resposta. O que está implícito é marcado por vestígios: não se fala diretamente, mas se sugere uma interpretação. Ex: Eu posso indicar que alguém é estressado não dizendo claramente esta palavra, mas citando os atos da pessoa, a forma agitada diante dos problemas na vida etc. Isso nos leva a “ler as entrelinhas”.

Assim, toda informação implícita do texto é “carregada” de vestígios. Como em uma investigação, o criminoso não está explícito, mas ele existe. Um bom investigador é um excelente leitor de vestígios. Os vestígios podem ser: uma palavra irônica, as características do ambiente e do personagem, a época em que o texto foi escrito ou a que o texto se refere, o vocabulário do autor, o rodapé do texto, as figuras de linguagem, o uso da primeira ou terceira pessoa verbal etc. Tudo isso pode indicar a intenção do autor ao escrever o texto, daí se tira o vestígio que nos leva à boa interpretação.

Postado por Estratégia Concursos

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