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Como está o mercado de trabalho para os Engenheiros no Brasil?

Entenda como está o cenário atual da engenharia, o contexto dessa situação e quais estratégias podem ser pensadas para enfrentar os problemas da área.


Como está o mercado de trabalho para os Engenheiros no Brasil?

Especialistas têm debatido e refletido sobre como está o mercado de trabalho para os engenheiros no Brasil. Algumas pesquisas vêm sendo realizadas e, como será visto neste artigo, os resultados podem auxiliá-lo a decidir qual é a melhor forma de conduzir sua carreira.


A profissão do engenheiro é importante para o desenvolvimento de qualquer país. A engenharia é um setor em que os profissionais são treinados para resolver qualquer problema de sua área, através de soluções práticas, baseadas em conhecimentos técnicos e científicos. Além disso, a engenharia também viabiliza o conhecimento de todos os detalhes sobre os processos da empresa em que os profissionais atuam.


Para Bruno Araújo, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a importância dos engenheiros está relacionada ao fato deles serem responsáveis pela realização da “Convergência Tecnológica”. Ou seja, eles são capazes de adaptar as tecnologias de ponta, que são desenvolvidas dentro de faculdades ou no exterior, para o trabalho e para o contexto das empresas em que elas precisam ser aplicadas.


O técnico do Ipea afirma que a engenharia é uma área sobre a qual todos os países do exterior prestam atenção e investem. Isso porque, a profissão também influencia diretamente a área de inovação tecnológica. O curso de engenharia, que contempla cerca de cinco anos ou mais, desenvolve profissionais versáteis, que possuem conhecimentos avançados em matemática e ciências.



Como está o mercado de trabalho para os engenheiros: problemas atuais


Mediante o estudo realizado pelo Ipea, Bruno Araújo afirma que um dos principais problemas na engenharia, atualmente, têm sido a frustração na hora de procurar emprego no mercado de trabalho. Isso acontece, porque, ao sair da faculdade, os engenheiros se deparam com um mercado com poucas vagas compatíveis com a sua formação. Portanto, devido a versatilidade da profissão, eles acabam aceitando vagas de trabalho em outras áreas, como o setor financeiro, por exemplo. Porém, esse processo pode acarretar em dois tipos de frustrações:


Frustração financeira


O preenchimento de vagas em outras áreas, por vezes são oportunidades que demandam menos conhecimento técnico e menos qualificações. Consequentemente, a remuneração é inferior a de um emprego na área de engenharia.


Frustração em relação ao conhecimento


Devido a longa permanência em um curso tão complexo, o profissional pode sentir que seus conhecimentos não estão sendo devidamente aproveitados.


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Empreendedorismo e especialização como caminhos alternativos


Outra problemática atual, é a dificuldade em conseguir carteira assinada na área. Como escapatória, o engenheiros estão se envolvendo mais com empreendedorismo. Bruno Araújo, ressalta que um dos motivos do empreendedorismo ter se tornado uma alternativa é que, atualmente, empreender está mais barato. Ele afirma que antes o empreendedorismo era algo para poucos, mas com a popularização dos notebooks e celulares, hoje em dia se pode ter o escritório nas mãos.


Os engenheiros, portanto, têm investido mais na criação do próprio negócio. A especialização também é uma alternativa e, ao mesmo tempo, uma aliada desse processo. Pois, os profissionais da área têm tentado se destacar dentro do mercado. Isso pode ser feito através da especialização profissional individual, normalmente realizada através de cursos e estudos.


A especialização também pode se aliar ao empreendedorismo e gerar a criação de negócios que ofereçam serviços especializados. Esses podem atuar também com a prestação terceirizada de serviços.


Bruno Araújo também explica que esses caminhos alternativos resultam em um paradoxo. Por um lado, é positivo que se tenha inovação e empreendedorismo dentro da área de engenharia. Porém, essa estrutura gera uma precarização do vínculo de trabalho, porque há mais terceirizações.


As terceirizações acontecem mais em momentos de baixa na economia. A empresa, ao se deparar com dificuldades econômicas, pode ser que não demita determinado funcionário, mas faça uma proposta de terceirizar os seus serviços, assim pagando menos impostos. Por consequência, o engenheiro que está prestando aquele serviço perde alguns direitos, como plano de saúde, por exemplo.



O que influencia a baixa contratação no mercado de trabalho?


Nielsen Alves, professor de engenharia civil da Universidade Católica de Brasília (UCB), em entrevista para o Ipea, ressaltou uma característica específica da área da engenharia: a demanda por engenheiros é influenciada por ações governamentais. Como investimento em infraestrutura e planos de construção de habitação. Esses planos, por vezes, são cortados pelo governo, visando economia.


Por consequência, o setor privado também é afetado. Porque, a partir do momento que o governo está se precavendo quanto aos seus investimentos, o setor privado interpreta que ele também precisa economizar. Isso acaba precarizando ainda mais a contratação de engenheiros.



Demanda por engenheiros no mercado de trabalho


Roberto Lobo, que já atuou como reitor da USP e diretor do CNPQ, afirmou em entrevista para o Estadão, que o investimento privado precisa de perspectivas de estabilidade econômica. Quanto mais investimento, mais a demanda por engenheiros no mercado aumentará.


Antes do período de instabilidade econômica brasileira, o Ipea havia realizado junto com a USP, um estudo sobre as contratações no mercado de engenharia. Nesse estudo, feito em 2013, previa-se que seria necessário aumentar entre 600 mil e 1,15 milhão o número de engenheiros no país até 2020.


Porém, o técnico do IPEA, Bruno Araújo comenta que essa necessidade abrange mais um perfil específico de engenheiro. Esse seria o engenheiro com mais qualificações e experiência. Ele cita, como exemplo, o caso da construção dos estádios da Copa do Mundo no Brasil. Segundo o técnico, havia uma dificuldade em encontrar engenheiros para gerenciar os projetos, que seriam profissionais com as capacidades necessárias para o cargo de gestor.


Essa fala do técnico, nos indica que a qualificação é sempre uma aliada. O número de ingressantes na pós graduação e em cursos de especialização aumentou, segundo a matéria realizada pelo Ipea.


A atualização é uma escapatória à crise, pois torna o profissional diferente da grande maioria, através da qualificação consolida-se um “diferencial”. No momento em que há uma crise de contratações no mercado, a tendência é que mais profissionais busquem a especialização.



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Especialistas acreditam na retomada do mercado de trabalho para engenheiros  


Ao refletir sobre como está o mercado de trabalho para os engenheiros no Brasil, durante a entrevista disponibilizada pelo Ipea, o professor da UCB, Nielsen Alves, afirmou que a tendência é que o mercado volte a crescer em um futuro próximo.


Isso porque as construtoras não podem ficar estagnadas. As grandes empresas costumam possuir verba para “segurar” seus investimentos e projetos em momentos de crise. Dessa forma, podem diminuir suas atividades de construção durante períodos, mas essa verba é finita. Com o decorrer do tempo, é necessário retomar os projetos para aumentar a lucratividade.


O Brasil é um país que ainda possui uma grande demanda por infraestrutura, que ainda não foi preenchida. “Essa situação ficará insustentável, o setor da infraestrutura precisa de muitos engenheiros, de todas as áreas. Também há a parte habitacional, que tem uma carência muito grande. Então, eu não vejo como não ser otimista. Lembrando que é preciso dar condições para que o mercado particular, não só o governo, também atue”, explica Nielsen Alves.


O professor também alerta que há obras que esperam por anos a aprovação pelo governo, em Brasília. Situações assim, em que o governo demora para aprovar projetos prejudicam a geração de empregos no país.


A previsão feita por ele sobre a retomada da engenharia, já está começando, mesmo que em marcha lenta. Segundo a Page Personnel, que é uma empresa especializada em recrutamento profissional, a demanda por engenheiros cresceu entre 30% e 35% em 2018, em relação ao ano anterior.



O mercado está crescendo em passos lentos e é preciso estar preparado


Entretanto, há quem diga que esses números não demonstram uma mudança que seja muito impactante. O especialista do Instituto Mauá de Tecnologia, Marcello Nitz, disse para a revista EXAME, que os números da Page Personnel são interessantes e que ele confirma a indicativa de que está acontecendo a retomada da área da engenharia. Porém, essa está acontecendo de forma lenta e os números da pesquisa não representam a média geral da realidade brasileira.


Ainda assim, o pesquisador admite que a área industrial voltou a contratar engenheiros e técnicos em 2018. Tal como, os setores automotivos e químicos, o crescimento é lento mas está sendo realizado.


Já Roberto Lobo afirma que se destacará quem buscar se tornar um profissional flexível, buscando aprender novas metodologias, procurando inovação e estudando empreendedorismo. Ele também alerta que, hoje em dia, existe uma nova realidade: as Indústrias 4.0. Elas demandam conhecimento de análise de enormes quantidades de dados, softwares e inteligência artificial.


Em concordância, Marcello Nitz afirma que no cenário atual, é recomendável o desenvolvimento de competências como coaching, técnicas de negociação e apresentação em público.


Reunir as características para se tornar um engenheiro disputado pelo mercado de trabalho não é fácil, mas é possível.



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Postado por Isabela Holl/CAE Treinamentos

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